História da Terra

Formação do Senhorio de Pombeiro

     No último quartel do século XIII residia em Arganil D. Marinha Afonso, "descendente dos primeiros donatários e padroeiros de Arganil, Pombeiro e seus termos", com seu marido Fernão Rodrigues Redondo.
     Falecido o marido, foi aberto o testamento, como era natural, mas D. Marinha Afonso entregou a administração de toda a sua grande casa aos testamenteiros Fernão Lopes e Francisco Nunes e foi residir para Santarém, onde vivia seu cunhado Rodrigo Annes Redondo, no ano de 1205.
     Não tencionando voltar para Arganil, obteve mais tarde que o rei D. Afonso IV, a seu pedido, lhe desse determinadas rendas e o padroado da Igreja de S. Nicolau, de Santarém onde fez novo jazigo, "em troca dos direitos, terras e padroado de Arganil, Pombeiro e seus termos".
     Em 1354, o rei separou a jurisdição de Pombeiro da de Arganil, dividindo-a em dois senhorios, agregando o de Arganil ao dote de sua neta, a infanta D. Maria, que estava casada com D. Fernando de Aragão, ficando para si, com a jurisdição e posse do senhorio de Pombeiro.
     Em 1355 o mesmo rei, D. Afonso IV, doou-o a Martim Lourenço da Cunha, 1.º Senhor de Pombeiro. Sucede-lhe João Lourenço da Cunha que, por volta de 1368, casa com D. Leonor de Telles, que mais tarde vem a ser rainha, casando com el-rei D. Fernando.
     A 10 de Novembro de 1513, D. Manuel dá carta de foral a Pombeiro passando-o a vila, concedendo aos seus habitantes muitos privilégios. Entre outros, se contava o "de não servirem gratuitamente o senhor da terra com suas pessoas e cousas, tendo este de pagar qualquer objecto que necessite".
     A família dos Mateus da Cunha esteve à frente do senhorio de Pombeiro até ao princípio do séc. XVII, até que devido ao casamento, passa para os Castello Branco. É nesta altura que começa a decadência, visto que estes senhores eram de tal forma opulentos que desprezam este senhorio, levando-o à ruína.
Em 1876 este senhorio, outrora importante, estava completamente desfeito e ao encargo de rendeiros.

Breve resenha sobre os Cunhas, Senhores de Pombeiro, Condes de Pombeiro e Marqueses de Belas...

Foi 1.º Senhor de Pombeiro, Martim Lourenço da Cunha (o VII descendente de D. Guterre Pelayo), que era Senhor " dos lugares de Tôrres do Bairro e Villarinho de apar".


O 2.º Senhor de Pombeiro, João Lourenço da Cunha, foi casado com D. Leonor Telles de Menezes, mais tarde rainha por casamento com o rei D. Fernando.

O 3.º Senhor de Pombeiro foi D. Álvaro da Cunha.
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O 5.º Senhor de Pombeiro, D. Artur da Cunha desanexou do senhorio Sanguinheda e Carapinha, para dar a seu irmão Simão da Cunha.

Foi 6.º Senhor de Pombeiro D. João Alvares da Cunha, a quem se devem as alfaias da igreja matriz.


O 7.º Senhor de Pombeiro, Mateus da Cunha, jaz em túmulo especial na capela-mor da igreja de Pombeiro.

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À 9.ª Senhora de Pombeiro, D. Maria de Bryteiros da Cunha, se deve a reconstrução/ ampliação da igreja matriz de Pombeiro e a edificação do túmulo de seu pai.

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Ao 11.º Senhor de Pombeiro, D. António Castello Branco da Cunha, se deve a edificação da igreja de S. Martinho da Cortiça.


Foi 1.º Conde de Pombeiro, D. Pedro de Castelo Branco da Cunha, Visconde de Castelo Branco (Sacavém), 12.º Senhor de Pombeiro, 7.º Senhor de Belas e de Sanguinheda.

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1.ª Marquesa de Belas, D. Maria Rita de Castelo Branco Correia e Cunha, foi também 6.ª condessa de Pombeiro, 18.ª senhora de Pombeiro, 12.ª senhora de Belas e 14.ª do morgado de Castelo Branco.

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O 10.º Conde de Pombeiro, D. António Maria de Castelo Branco Correia e Cunha de Vasconcelos e Sousa, filho do 4.º Marquês de Belas, nasceu em Lisboa em 21/04/1903.


Freguesia de Pombeiro da Beira

No distrito de Coimbra, concelho de Arganil ... 
POMBEIRO DA BEIRA, antiga vila, actualmente sede de freguesia, do concelho de Arganil, situada a oeste, e distando 13 Km da sede do concelho e comarca, entre a Serra de Sta. Quitéria, de 492 m de altitude, e a Albufeira das fronhas, na margem esquerda do rio Alva, confrontando com os concelhos de Góis e Vila Nova de Poiares, é constituída por 32 lugares dispersos numa área de 31,35 Km2, com uma população de cerca de 1300 habitantes.

Localização

Povoações


Alagoas, Alcaria, Aldeia-Nova, Arroça, Aveia, Azenha, Bufalhão, Casal do Frade, Castelo, Chapinheira, Chãs Grandes, Chãs Pequenas, Couços, Covais, Eira-Velha, Lomba, Murganheira, Picadoiro, Pombeiro da Beira, Portela do Vale Diogo, Póvoa da Rainha Santa, Priados, Ribeira da Aveia, Roda, Salgueiral, Sarnadela, Servo, Vale Além, Vale Diogo, Vale Maladão, Vale Monteiro, Vilarinho do Alva.


 
Artesanato

Tanoaria em Vale Diogo e Vale do Maladão (os melhores barris de Portugal para vinho e aguardente); Olaria (Olaria de barros pretos, outrora em Arroça e Chapinheira); Cestaria (Póvoa da Rainha Santa); Carpintaria; Tecelagem (de linho e tapeçaria de 'trapos'); Costura; Rendas e Bordados.


 
Gastronomia

Torresmos à moda de Sta. Quitéria; Arroz de fressura (de porco e de cabra); Chanfana de cabra  e de ovelha; Chispe de cabra (perna de cabra assada no forno e depois servida em fatias); para sobremesa arroz doce (com ovos) e  coscoreis (polvilhados com açúcar e canela). 
 

Locais a visitar na Freguesia de Pombeiro da Beira


  
Alto da Serra do Salgueiral/ Sta. Quitéria - com uma panorâmica extraordinária sobre as zonas circunvizinhas, nomeadamente, Mont'Alto, Serras do Açor, da Estrela, do Caramulo e da Lousã. E ainda permite desfrutar de uma vista geral sobre a albufeira da barragem das Fronhas, ímpar na região. Possuí óptimos circuitos pedestres e todo-o-terreno.

Barragem das Fronhas - possui óptimos acessos a partir da Roda e Covais para passeio e pesca.

Barreiras do Picadoiro - formações provocadas pela erosão de arenitos de cor branca e rosa, na estrada que liga a esta povoação ao fundo da Murganheira (EM 522).

Estrada de Priados, Ribeira e Aveia - dominando a barragem e a foz da ribeira da Aveia. 
  
Estrada de Casal do Frade a Servo e Alcaria - da zona ribeirinha à serra, com a belíssima povoação do Casal do Frade no sopé.

Monumentos - as jóias da freguesia.

        LENDAS DA TERRA

A RAIVA DO ALVA

Corre em Pombeiro da Beira uma velha história sobre uma disputa entre três rios portugueses nascidos na serra da Estrela: o Mondego, o Alva e o Zêzere.

Nascidos da mesma mãe, viviam os três irmãos, serpenteados pelas vertentes, tranquilos e alegres, amigos e companheiros. Passavam os seus dias mirando-se cada um na limpidez das águas dos outros e jogando às escondidas nas gargantas, furnas e sorvedouros da gigantesca mãe.

Certa tarde, porém, pela noitinha, envolveram-se em azeda discussão, ao que parece motivada por arrogância de valentias. Trovejaram rivalidades e prometeram-se romper as prisões de infância, acabando por desafiar-se para uma corrida cuja meta seria o corpo enormíssimo do mar: o primeiro que lá esbarrasse seria o melhor de todos os três!

Qual deles descobriria melhor o caminho? Qual conseguiria desenvolver maior barulho e força? Qual dos três seria o primeiro a oferecer as suas doces águas às salgadas águas do mar? Era o que iria ver-se!

O Mondego, astuto, forte e madrugador, levantou-se cedo e começou a correr brandamente para não fazer barulho. E sem levantar suspeita foi escorrendo desde as vizinhanças da Guarda, pelos territórios de Celorico, Gouveia, Manteigas, Canas de Senhorim.

Na raiva, onde os primos vieram cumprimentá-lo, robusteceu-se com eles e dali partiu na direcção de Coimbra, depois de ter atravessado ofegante as duas Beiras.

O Zêzere, porém, estava alerta, e, ao mesmo tempo que o Mondego o fez, começou a mover-se oculto no seu leito de penhascos, enquanto pôde. Foi direito a Manteigas, onde perdeu de vista o irmão. Passou também perto da Guarda, desceu correndo até ao Fundão e, de repente, desnorteou, obliquando para Pedrógão Grande. Quando deu por si, no meio daquela louca correria, tinha atravessado três regiões e estava ainda em Constância. Ai, cansado e desesperado, vendo-se perdido e sem hipótese de alcançar o mar, abraçou o Tejo e ofereceu-lhe as suas águas.

O Alva, poeta sonhador, entreteve a sua noite contemplando as estrelas. Adormeceu por fim, placidamente, confiado no seu génio, e quando acordou, estremunhado, era manhã alta. Olhou em volta e viu os irmãos correndo por lonjuras a perder de vista. Que fazer agora? Que imprevidente fora! Mas… remediar-se-ia o desastre! E o Alva atirou consigo de roldão pelos campos fora, rasgou furiosamente montanhas e rochedos, galgou despenhadeiros, bradou vinganças temerosas. E quando julgou estar a dois passos do triunfo… foi esbarrar com o Mondego, que há horas já lá ia, campos de Coimbra fora, em cata a Figueira, onde se lançaria no seio maternal do oceano, ganhando assim a tão discutida corrida.

O Alva esbravejou e com a sua furiosa zanga atirou-se ao irmão a ver se o lançava fora do leito. Quando se sentiu impotente ante a serenidade majestosa do outro, espumou de raiva. E o Mondego, rindo, engoliu-o de um trago.

Ao memorável local de encontro, a foz do Alva, passaram as gentes a chamar-lhe Raiva em memória deste caso "tremebundo".

In "Lendas Portuguesas" – Investigação, recolha e texto de Fernanda Fragão – Vol. 2. Amigos do Livro Editores.

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